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“O amor é tudo”
(Jesus Cristo)







sábado, 30 de novembro de 2013

Como fazer a trégua dos sexos

Uma pesquisa com 100 mil funcionários de grandes empresas mapeia os oito principais motivos para conflitos entre homens e mulheres no trabalho – e dá dicas preciosas para evitar os desentendimentos
GRAZIELE OLIVEIRA

>> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana:
Capa - Edição 810 (home) (Foto: ÉPOCA)
O escritor americano John Gray ganha a vida resolvendo conflitos entre homens e mulheres. Seu livro Homens são de Marte, mulheres são de Vênus, lançado em 1992, vendeu mais de 50 milhões de exemplares e salvou inúmeros relacionamentos amorosos, ao mostrar que o amor e o diálogo podem superar as diferenças entre os sexos. Graças ao sucesso do livro, ele viajou pelo mundo dando palestras e estabeleceu uma lucrativa carreira de autor de autoajuda e conselheiro amoroso. Faltava-lhe a resposta para uma pergunta simples: o que fazer para conciliar as visões de mundo conflitantes de homens e mulheres no ambiente de trabalho – um lugar em que o amor provavelmente não estará presente para alinhar as órbitas de Marte e Vênus? 

Para encontrar a resposta a essa dúvida, Gray precisou de ajuda. Recrutou a consultora Barbara Annis, famosa por resolver conflitos entre homens e mulheres em governos e grandes empresas. A dupla dedicou 25 anos a estudar o assunto. Nesse período, entrevistaram 100 mil funcionários de 75 das maiores empresas do mundo, enquanto viajavam para oficinas, palestras e workshops. Foram ao Brasil, à Índia, ao Japão, percorreram toda a extensão dos Estados Unidos e da Europa. O resultado dessa longa pesquisa está no livro Trabalhando juntos (Paralela, 272 páginas, R$ 29,90), recém-lançado no Brasil. O texto cataloga as principais razões de conflito entre homens e mulheres e propõe algumas soluções. As diferenças entre os sexos são grandes, mas há motivos para otimismo. “Homens e mulheres sempre serão diferentes um do outro”, disse Gray a ÉPOCA. “O objetivo do livro não é o tentarmos ser iguais, mas entender as diferenças, respeitá-las e, juntos, criar algo melhor.”
 
Elas falam demais (Foto: Marcelo Min/ÉPOCA)
O livro afirma que os motivos para desentendimentos entre os sexos são alguns pontos cegos. Da mesma forma como os retrovisores de carros nem sempre mostram aos motoristas tudo o que precisam ver, a mente masculina muitas vezes não repara em ações que incomodam profundamente as mulheres – e vice-versa. Em suas pesquisas, Gray e Barbara identificaram oito desses pontos cegos no ambiente de trabalho. Boa parte envolve diferenças no estilo de comunicação. Os homens recriminam as mulheres por fazer muitas perguntas. Elas reclamam por não ser ouvidas e se sentem excluí­das. As maneiras como homens e mulheres encaram problemas no trabalho também são diferentes. Elas se sentem pouco valorizadas num ambiente corporativo ainda dominado por homens e tentam mudá-lo, mas são tachadas de emotivas demais. Eles são considerados insensíveis, embora apenas prefiram não demonstrar emoções. E, quando querem conversar com elas, têm medo de ser mal interpretados. 

Por trás de todos os pontos cegos, há o mesmo problema: apesar de ser muito diferentes, homens e mulheres pensam pouco em suas diferenças. “Não saber como, e por que, homens e mulheres pensam e agem faz com que esses pontos cegos venham à tona”, diz Barbara.
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