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domingo, 1 de dezembro de 2013

Estado só tem quatro cidades sem risco de deslizamento

Mapeamento feito pela Defesa Civil aponta as ameaças naturais em 92 municípios fluminenses. Na Serra, governo entregou aos desabrigados só 506 das 4.414 moradias
MARIA LUISA BARROS
Rio - A um mês de completar três anos da tragédia que matou mais de 900 pessoas na Região Serrana, um mapeamento das ameaças naturais do Estado do Rio, elaborado pela Defesa Civil, aponta um dado alarmante: das 92 cidades da Região Metropolitana e do interior, 88 enfrentam riscos de deslizamentos de terra. 
Apenas quatro — São João da Barra, Quissamã, Carapebus e Conceição de Macabu — estão livres desse tipo de desastre natural. Suas populações, porém, não estão imunes aos temporais de verão. Nessas cidades, os riscos são de enchentes e de alagamentos, que afetam 15% dos municípios fluminenses. 

Destruição na Estrada Friburgo-Teresópolis: sem obra de contenção, as encostas continuam sendo risco na Serra
Foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia


Em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, além das enxurradas, o maior perigo continuam sendo os desmoronamentos de encostas. Logo após a catástrofe na Serra, o governo prometeu construir seis mil moradias. Desde então, foram entregues apenas 506 casas a famílias desabrigadas pelas enchentes em Nova Friburgo. Até o fim do ano, serão mais 460 apartamentos.

 
A meta é entregar 4.414 unidades a desabrigados em Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Areal, Bom Jardim, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.
A Secretaria Estadual de Obras alega que faltam terrenos planos disponíveis para a construção dos imóveis na Região Serrana, que é cercada por morros. Sem ter onde morar, muitos voltaram para suas antigas casas ou se recusam a abandonar o local. 

Em praticamente todo o estado, o estudo da Defesa Civil identificou casas construídas em áreas com risco de desabamento
Foto:  Divulgação

O vice-governador e coordenador de Infraestrutura, Luiz Fernando Pezão, alega que muitas famílias receberam indenização para comprar casa em local seguro ou o aluguel social. Segundo ele, foram investidos na Serra R$ 2,6 bilhões em ações de reconstrução das cidades, instalação de sirenes, contenção de encostas, reconstrução de pontes e dragagem de rios. Ele cobra das prefeituras que ajudem a retirar as famílias. “Se não fizermos o dever de casa, vão bater na nossa porta”, avisa Pezão.
Rotas de fuga e plano emergencial
Moradores de áreas de risco na Região Serrana vão receber no próximo verão kits contendo ímãs de geladeira com orientações para desocupação imediata — como lembrar, por exemplo, de desligar o gás para evitar o risco de explosões — e uma pasta plástica, com vedação impermeável, para guardar seus documentos pessoais e carregá-los em uma situação de emergência.

Em Friburgo, conjunto abriga famílias que perderam casas em 2011
Foto:  Divulgação

A medida faz parte dos Planos de Ação Comunitários de Prevenção e Enfrentamento de Acidentes e Desastres Naturais que serão apresentados nesta terça-feira na Câmara Municipal de Petrópolis. O plano foi elaborado pelo Mãos à Obra, programa de defesa civil comunitária da Superintendência de Educação Ambiental.
Ele traz mapas com detalhes de rotas de fuga, pontos de apoio, levantamento de pessoas que necessitam de cuidados especiais e de moradores que têm barcos, cordas e motosserra que possam ser usados em emergência. Sessenta monitores foram treinados. Aprenderam noções de atendimento pré-hospitalar e receberam capas de chuva, lanternas e apitos para orientar famílias a deixar suas casas.
Inundações ameaçam 3.700 famílias
O estado afirma que já reassentou 4.271 famílias em regiões com risco de inundações. A previsão é retirar mais 3.700 moradias de áreas ribeirinhas até 2015. “Não dá para evitar desastres naturais. Temos que aprender a conviver com o risco das chuvas fortes, como o Japão reage a terremotos”, disse o secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões. 

Foto:  Arte: O Dia

O engenheiro Amaury Ribeiro, do Grupo de Risco Ambiental da Uerj, discorda. “Não temos que repetir as mesmas tragédias todos os anos. O governo tem que retirar as famílias e impedir novas ocupações em áreas de risco”, critica
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