Frase do dia

“O amor é tudo”
(Jesus Cristo)







sábado, 7 de dezembro de 2013

O que Mandela tem a ensinar a todos nós


O legado inestimável do homem que sepultou o ódio, abraçou a paz – e construiu uma nação
RODRIGO TURRER E ROGÉRIO SIMÕES, COM LEOPOLDO MATEUS, NINA FINCO E VINICIUS GORCZESKI

>> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana:
Capa - Edição 811 - nova (home) (Foto: ÉPOCA)
Conciliação. O sul-africano Nelson Mandela abraçou e simbolizou como poucos, em toda a história da humanidade, o espírito que dominou os momentos finais do século XX. A última década do mais sangrento século da história viu o comunismo morrer na Europa – e com ele a Guerra Fria, que dividia o mundo em duas metades que se ameaçavam mutuamente. Israelenses e palestinos pareciam caminhar para a paz. Católicos e protestantes da Irlanda do Norte aos poucos abandonavam as armas, em favor da convivência harmoniosa. Ditaduras militares e conflitos davam lugar, na América Latina, à festa da democracia. Banhos de sangue na antiga Iugoslávia e na África eram recebidos por um sentimento de indignação e duas palavras: “Nunca mais”. Muitos eram os cenários, mas ninguém soube incorporar em suas ações o significado da palavra conciliação como Nelson Rolihlahla Mandela.
Mandela veio ao mundo, em 1918, apenas como Rolihlahla, neto de um líder do povo thembu. O nome Nelson foi-lhe dado anos depois, por um professor de uma escola metodista por ocasião de seu batismo. Em xhosa, rolihlahla significa “encrenqueiro”, termo que pode ser considerado tanto irônico como apropriado para a carreira e o legado do político Mandela. O líder revolucionário, que se tornou o primeiro presidente negro num país de esmagadora maioria de sua raça, após passar 27 anos na prisão por seu ativismo político, foi um pacificador – porém, essencialmente, um encrenqueiro. Desde cedo Mandela mostrou-se um inconformado, especialmente com algo que testemunhava diariamente: injustiça. Estudou Direito e, como homem das leis, lutou para que elas tratassem com igualdade todos os seres humanos. Ele não nasceu para seguir as injustas e imorais regras impostas pela elite branca em seu país, sob o abominável nome de apartheid. Seus ideais, que Mandela cumpriu praticamente à risca, contrariam boa parte da tradição política maquiavélica do jogo de interesses, da destruição implacável do oponente e da relativização da ética. Sua vida pessoal foi movimentada, com três casamentos – o último deles com Graça Machel, víúva do líder moçambicano Samora Machel. Teve cinco filhas e um filho, que lhe deram 17 netos e 14 bisnetos. Não foi um santo nem um líder incapaz do erro – como presidente, Mandela falhou ao não envolver seu país na luta contra a aids, causa que abraçou apenas fora do cargo. Ele atingiu, porém, uma grandeza rara. Sua morte no dia 5, aos 95 anos, em Johannesburgo (África do Sul), após vários problemas de saúde, não apagará ensinamentos que ele deixou em vida, de importância ímpar para políticos e cidadãos. Àqueles que o ouviram, Mandela ensinou muito – lições que agora precisam ser lembradas e abraçadas como objetivos, na busca por mais qualidade de vida e justiça para todos.
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