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(Jesus Cristo)







domingo, 8 de dezembro de 2013

Pornografia: tão viciadora quanto o crack



Promoção da liberdade ao sexo faz parte do nosso cotidiano, cada vez mais, lembra a psicóloga Adriane Machado
Psicóloga, pedagoga, especialista em Psicopedagogia e Neuropsicóloga, com formação em Terapia Comportamental Cognitivo (TCC) pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Jovem e bonita, Adriane Alves Cruvinel Machado leva a sério sua profissão. Atende a todos com a mesma disposição, educação e palavras alentadoras. Em entrevista sobre o que entende por pornografia, que, para ela, é tão viciadora quanto o crack, ela não esconde nada, fala sem floreios. Segundo ela, a sexualidade tem ocupado um espaço na mídia através de revistas, filmes e músicas, nos transportes coletivos e redes sociais, pichações em muros públicos como escolas. Imagens explícitas, em quase todos os lugares, desde shoppings ao horário nobre da televisão.
Diário da Manhã– Pornografia! Ela está em toda a parte e parece ser bem aceita pela sociedade?


Adriane Alves Cruvinel Machado: Atualmente, a pornografia está em toda parte, mas não há um consenso geral de aceitação por toda a população. A pornografia tem sido associada a muitas ações e atitudes prejudiciais. Embora pareça ser aceita pela maioria, não é bem assim, mas é inegável que hoje ela ocupa um lugar importante em muitas comunidades.
DM– A pornografia pode ser vista desenhada em muro de colégios de adolescentes?
Adriane: Estamos rapidamente nos tornando uma sociedade pornográfica, o que há muito tempo atrás era encontrado de forma restrita em pinturas e esculturas que retratavam sexo explícito, onde autoridades escandalizadas com sua natureza libidinosa, guardavam em museus secretos, evoluiu posteriormente aos cines pornôs e zonas de prostituição. Hoje a sexualidade tem ocupado um espaço na mídia em revistas, filmes, músicas, nos transportes coletivos e redes sociais, pichações em muros públicos como escolas. Imagens explícitas em quase todos os lugares, desde shoppings ao horário nobre da televisão.
DM– Professores têm direito de falar sobre pornografia mesmo não autorizados pela diretoria?
Adriane: Professores não têm direito de aceitar, comentar e tratar a pornografia com os alunos de forma que não seja um assunto que não tenha sido motivo de curiosidade dos alunos. Curiosidades não devem ser estimuladas, elas acontecem de forma natural, devem ser respondidas através de palestras ministradas por psicólogos, profissionais capacitados para tratar o tema. Há técnicas para criar um espaço para que as crianças e adolescentes falem ou formulem questões sobre o tema falando suas experiências.
DM– Pode enfraquecer confianças?
Adriane: A sociedade no meio de tais mudanças aponta questionamentos acerca da influência que os materiais, oriundos do mercado pornográfico, podem exercer em crianças, adolescentes e adultos. A sociedade tem consciência dos efeitos negativos que a pornografia causa no conceito das pessoas, e as consequências em manter comportamentos como a busca do sexo pelo sexo, comportamentos sexistas e agressivos, além de parafilias e toda uma gama de crimes sexuais. Pesquisas revelam que a exposição à pornografia coloca os usuários sob risco crescente de desenvolver tendências de desvios de comportamento sexual, de prejudicar a capacidade de usufruir e participar da intimidade conjugal normal. O viciado sempre se recusa em participar da intimidade conjugal normal e, às vezes, ao divórcio ou colapso de relações íntimas.
DM– Pornografia pode ser viciadora como o crack?
Adriane: A pornografia pode ser viciadora como o crack sim, levando ao vício por sexo. Especialistas no tratamento do vício por sexo têm definido como “compulsão por sexo”, assim como compulsão por jogos patológicos, por internet. Todos considerados como doenças psiquiátricas. Se não for coibido, o que começa com uma olhada casual, pode ter uma sucessiva progressão e tornar mais explícita e incontrolável. Psicólogos têm constatado casos diários de jovens que, por curiosidade, começaram a acessar vídeos pornográficos pela internet e, com o vício gerado, desenvolveram patologias psicológicas em relação à sexualidade, chegando ao nível da internação. Uma breve exposição a formas violentas de pornografia pode levar a atitudes e comportamentos antissociais.
DM– Tem jeito de se libertar da pornografia?
Adriane: A promoção da liberdade ao sexo, cada vez mais faz parte do nosso cotidiano, a internet repleta de material pornográfico pesado, os canais pagos e as TVs a cabo exibem pornografia o tempo todo. As lojas de artigos eróticos vivem cheias de clientes. As revistas expostas livremente nas bancas. Isso tudo repercute com grandes mudanças no comportamento e na compreensão do sexo e da sexualidade na mente da população, levando as pessoas cada vez mais navegarem em sites pornográficos, imitar cenas e filmes pornográficos, filmar a si mesmo fazendo sexo. O mundo promove uma cultura de liberdade em relação ao sexo. Com isso cada vez mais enriquecem o mercado pornográfico.
DM – Como a pornografia afeta as famílias?
Adriane: A pornografia afeta famílias levando-as a se preocupar com a possibilidade de seus filhos acessarem materiais e imagens inapropriados na internet, marcando, namoros e sexo virtuais e depois carnais. Adolescentes, jovens e até crianças compartilham fotos ou vídeos íntimos pelo celular, configurando ameaças. Casos como esses estão se tornando cada vez mais comuns, são os chamados cyberbullyngs (que é todo bullyng praticado por meios de alguma tecnologia). Vem acontecendo cada vez mais com intensidade, e tem sido denunciado. Isso traz danos psicológicos, físicos e tem prejudicado e preocupado muito as famílias. A juventude se afunda sem que os pais saibam. Os pais, mergulhados na vida moderna, o excesso de trabalho, o stress do dia a dia, não procuram ter tempo para acompanhar seus filhos, deixando que a sociedade se encarregue de passar valores e, na maioria das vezes, não esperados pela família.
DM– O que é mesmo pornografia? São apenas escritos de cenas vexatórias?
Adriane: Pornografia é a representação da nudez e do comportamento sexual humano com o objetivo de produzir excitamento sexual. Esta representação é feita através de imagens, fotografias, desenhos, textos escritos ou falados.
DM– É verdade que, a cada segundo, 30 mil pessoas acessam sites pornográficos?
Adriane: A cada dia, 1,7 milhão busca a internet e dois milhões de filmes pornográficos são alugados, a cada mês, e o número de mulheres que veem pornografia é exagerado.
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