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domingo, 1 de dezembro de 2013

'Sérgio Cabral pode sair do governo em março', revela Pezão

Vice-governador dispara recados e provocações aos adversários na disputa pela sucessão ao governo do Rio
AZIZ FILHO E ROZANE MONTEIRO
Rio - O vice-governador Luiz Fernando Pezão é o tipo do cara que Darcy Ribeiro chamaria de “fazedor”. Para desespero dos assessores, o pré-candidato do PMDB ao governo do Rio é capaz de passar 12 horas seguidas inaugurando ou visitando obras em várias cidades. ‘Mineiramente’, o filho de Piraí diz que não é de criticar adversários. Mas, nas entrelinhas, vai disparando recados e provocações aos adversários na disputa pela sucessão do governador Sérgio Cabral.
Quanto à novela dos encontros e desencontros com o aliado PT, que também tem pré-candidato, Pezão diz estar convencido de que é cedo para o capítulo final. E que ainda tem muita conversa até junho, mês limite para os partidos sacramentarem suas apostas à sucessão de Cabral — chamado pelo vice-governador só de “Sérgio”. Com personalidade muito distinta da do chefe, Pezão já tem a chave da porta que dá acesso à área reservada do Palácio Guanabara e não economiza na marra ao dizer que “a vitória será no primeiro turno”.



'Sérgio Cabral pode sair do governo em março', revela Pezão
Foto:  José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Na manga, guarda para a campanha tudo o que puder mostrar das realizações dos dois mandatos de Cabral e ainda as mazelas que, segundo ele, o Rio herdou dos governantes anteriores. Aí incluídos os que deverão concorrer a governador e já passaram pelo Executivo: o senador Lindbergh Farias (PT), ex-prefeito de Nova Iguaçu; o vereador Cesar Maia (DEM), três vezes prefeito da capital; e o deputado federal Anthony Garotinho (PR), que já foi governador.


O DIA: Petistas falam em adiar ao máximo a saída do governo Cabral para consolidar a candidatura do senador Lindbergh Farias e convencer o PMDB a apoiá-lo. A possibilidade existe?
Luiz Fernando Pezão : Não dá para um partido (PMDB) que tem a maioria das prefeituras e comanda aliança de mais de 13 partidos não ser cabeça de chapa. Temos um projeto que mudou o estado. Com suas falhas, erros, mas ninguém pode negar os avanços em sete anos. Sou um pré-candidato, o PMDB está unido na proposta e torcemos para chegar em junho nas convenções e o PT estar aliado com a gente. Vou trabalhar muito para que o PT esteja na aliança.
Isso quer dizer Lindbergh Farias (PT) vice?
Não necessariamente. Nós nos empenhamos muito para ajudá-lo a se eleger senador. Ele tem feito grande trabalho no Senado e pode fazer muito mais. Ainda está no terceiro ano de mandato.
O sr. se arrepende de tê-lo ajudado a ser eleito?
De maneira nenhuma. Ainda tem muito espaço para conversa até abril, maio. Eleição agora interessa a quem está fora do poder, aos blogs, às fofocas... Todo mundo dando as suas cotoveladas e ocupando espaços.
Lindbergh diz que, por ele, o PT teria saído há muito tempo. Mas só deve sair às vésperas da eleição, com a queda na aprovação do governo Sérgio Cabral. O sr. está decepcionado com o partido de sua amiga Dilma Rousseff?
De maneira nenhuma. Todos os partidos querem crescer, eleger governador, bancadas, senador. Está todo mundo se posicionando. Mas nosso relacionamento com a presidenta Dilma e com o ex-presidente Lula não vai ser atrapalhado por uma decisão do PT aqui. Esse relacionamento é muito maior do que uma questão regional.
Lula pode pedir para Lindbergh não ser candidato? 
Não sei. Não participo das decisões do PT. Mas não tenho dúvida de que essa aliança foi o segredo para o Rio vivenciar esses momentos que vivemos. Estivemos, eu e Sérgio, com a presidenta, há 15 dias, jantando com ela, e ela faz todas as deferências à essa parceria. Ela fala que, em todo o país, a parceria que mais deu certo do PT com o PMDB foi no Rio. Então vamos esperar chegar em junho. Está muito cedo. 
Se deu tão certo, por que o governador chega desgastado ao fim do mandato?
O Rio não é trivial. Você ser gestor aqui é muito complexo, e por sete anos não é fácil tocar essa máquina de segurança, com milicianos, tráfico, vans, os enfrentamentos que fizemos. Mas o Sérgio já tem o “ótimo” e “bom” em torno de 25%. É o que tinha em julho de 2008, quando lançou o Eduardo Paes prefeito. Eduardo tinha 6%, e Sérgio tinha 25% de aprovação. Na hora em que começar o programa eleitoral, as pessoas vão observar o que querem.
Mas o “péssimo/ruim” de Cabral está alto também.
Está como em 2008, diferença de dois ou três pontos. Ele tinha brigado com os médicos, passado pela crise da dengue, tinha “Fora Cabral” aonde a gente ia, pessoal de van ameaçando de morte, corredor de policiais para a gente subir no palanque. Então, nada diferente. Sempre que vai ter eleição, no período pré-eleitoral, tem uma crise, os adversários se unem. Estão todos juntos querendo o ‘quanto pior melhor’, infelizmente. Na hora certa, o eleitor observa o que é melhor pra ele. Quer aquele Rio antigo, com o tráfico? As pessoas começaram a ver quem estava por trás dos protestos.



'Acredito que possa ganhar no primeiro turno', diz vice-governador
Foto:  José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Quem estava por trás?
Tem tanta gente que foi presa, está fichada, militantes de movimentos, partidos. Vocês sabem melhor do que eu. Tem gente que boicota o trem, temos vandalismo nos meios de transporte. Quando entramos, a Supervia transportava 330 mil passageiros ao dia, hoje está em 680 mil. As barcas tinham 60 mil, hoje são 138 mil. Tem viúvas que torcem para o ‘quanto pior melhor’, não estão satisfeitas, e estão todas juntas. No período eleitoral, vão ter que se separar, e cada um vai mostrar as garrafas vazias que têm para vender.
Como o sr. avalia sua performance nas pesquisas?
Está muito boa. Sou conhecido por 43%. Quando o Sérgio colocou a minha pré-candidatura, eu era conhecido por 22%. Com 43%, ainda sou desconhecido.
As pesquisas indicam os transportes públicos como maior preocupação do eleitorado. As soluções para trens, barcas, metrô, não demoraram muito?
Já compramos e pagamos 60 trens novos, que já chegaram. No ramal de Deodoro, está tudo novo. Agora, fizemos mais um aditivo e vamos trazer mais dez. Então, são mais 70. Vão chegar mais 20. Então, são 90. A partir de janeiro, vai chegar trem o ano inteiro.
O caso Amarildo maculou a política de segurança?
Deu um impacto, junto com o ambiente que estava criado. Mas quantos Amarildos em 40 anos a gente nem ficou sabendo porque ninguém entrava na comunidade? Hoje, a gente ouve: “Falta policial na Baixada, São Gonçalo, Niterói.” Só que temos 8.700 policiais dentro das comunidades, onde não tinha ... Hoje o cara chega lá e pode reclamar. Vai ter a delegacia da Rocinha em dezembro, e vamos inaugurar a do Alemão. Formaremos em dezembro 1.200 policiais civis, 180 delegados.
A mão social do estado não está demorando a chegar às favelas?
O Sérgio está entregando outra cidade para o Eduardo. Os prefeitos não administravam esses locais. Cesar Maia ficou 12 anos e nunca entrou no Alemão, na Rocinha. Se entrasse, não deixaria acontecer aquilo que estava lá. Hoje todo mundo entra. Vamos mostrar o que temos feito. Quantos apartamentos construímos? E escolas, complexos esportivos, projetos sociais? Estamos entrando.
Alguma mudança no projeto das UPPs?
Não, só aprimorar e ampliar. Vamos deixar no fim do ano, início de 2014, um programa de UPPs até 2020. Estamos finalizando, mas em 2014 vamos ocupar outras comunidades.
Por exemplo?
Ah, não posso falar...
E Cabral? Sai quando do governo? Ou não sai?
Não sei, ele está vendo, pode sair em março ou ficar até dezembro. Mas eu tenho pedido muito que ele seja candidato ao Senado. Aí, é com ele.
Por que é bom, para o senhor, que ele seja candidato ao Senado?
Ele é um talento na rua. Poderia sair do Palácio e ir às ruas defender o governo que fizemos. Ele me ajuda muito na rua.
Mas, com ele na rua, o sr. precisa ficar no Palácio. Alguém tem que governar.
No fim de semana se faz campanha, depois do horário. Igual fizemos na reeleição. Hoje a gente vê que é importante ele sair. As pessoas têm um carinho especial por ele. Foi o governador mais votado da história, o senador mais votado, o deputado mais votado.
Se o senhor assume o governo, fica mais conhecido. Mas, como o sr. disse, o Rio não é trivial. O sr. estaria exposto a casos como o do Amarildo, confrontos. Isso não pode atrapalhar?
Estou preparado. Com sete anos ao lado do Sérgio a gente fica com o ‘casco grosso’. Eu também fui prefeito e lá você também é muito cobrado. Não é fácil ser gestor.
Há pouco a se comemorar na área da Saúde...
Não acho. Temos muitas conquistas. Se eu for governador, a gente tem que fazer uma parceria para reabrir a Santa Casa. São 700 leitos. Assumir aquilo ali, em comodato. Não vou inventar nada, foi meu primeiro ato como prefeito de Piraí. Tenho propostas hoje e quero mais no transporte. Estou batalhando para levar o trem até Itaguaí, principalmente até o porto, que é o porto do Arco Metropolitano, aquela região está expandindo.
Como é sua relação com os prefeitos?
Hoje temos parceria com os 92 municípios.
Garotinho pode ser um parceiro?
No segundo turno, se conversa, né? Eu me relaciono com ele.
O segundo turno é um desafio, dificilmente ele vai apoiá-lo.
Espero ganhar no primeiro. Estou trabalhando para entregar, para fazer e para as pessoas compararem bem. Eu acredito que ainda possa ganhar no primeiro turno.
Comparação com governos anteriores será o mote da campanha?
Claro, quero comparar tudo: minha administração como prefeito, quem foi prefeito, como foi, como é que está a cidade dele.
O sr. prefere viajar para Piraí do que para a Europa, não é?
Para Piraí, para Mauá, Búzios, Cabo Frio, Tiradentes.
A diferença de estilo com o Cabral será enfatizada na campanha?
Acho que não. Eu torço para que minha marca seja de uma pessoa que gosta de fazer as coisas, entregar, realizar. Se eu pudesse criar uma marca, seria essa.
Darcy Ribeiro chamava isso de ‘ fazedor’...
É cada vez mais difícil ser ‘fazedor’. Eu tenho me preocupado muito porque as amarras são grandes. Burocracias, dificuldades imensas.
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