Trabalhadores do mundo choram a morte de Mandela

Depois de permanecer em “estado vegetativo” desde 26 de junho, o líder sul-africano Nelson Mandela morreu na quinta-feira (5). Internado por meses, o seu aniversário de 95 anos, em 18 de julho, foi comemorado entusiasticamente pelo mundo afora, todos à espera de um milagre que mantivesse vivo um dos grandes heróis da humanidade.
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Certamente o legado de Madiba, como era carinhosamente chamado por seu povo, não morrerá enquanto houver injustiças e discriminações no mundo. O primeiro presidente negro da África do Sul resistiu como um leão às maiores atrocidades sempre determinado a destruir um dos mais abomináveis sistemas de segregação racial do mundo, o apartheid. E por isso, configurou-se em um dos grandes heróis da humanidade, na luta pela igualdade racial e de instauração da democracia em seu país.


Sua trajetória de combate à segregação racial imposta pela minoria branca, oficializada em 1948, Mandela deixou sua terra natal para cursar Direito na primeira universidade para negros da África do Sul. Despontava aí o grande líder que viria a ser. Em 1952, é eleito presidente do Congresso Nacional Africano (CNA), principal organização sul-africana contra o apartheid pela democracia, que marginalizava a imensa maioria da população sul-africana, com mais de 80% constituída de negros.
Defensor da luta pacifista mudou sua trajetória a partir do Massacre de Shaperville em 21 de março de 1960, quando uma manifestação pacífica de aproximadamente 5 mil negros contra a Lei do Passe, que os obrigava a manter uma caderneta na qual dizia onde eles poderiam ir. O protesto foi duramente reprimido causando 69 mortes e 180 pessoas ficaram feridas. Justificou a mudança de posição do CNA ao declarar mais tarde que “nós adotamos a atitude de não violência só até o ponto em que as condições o permitiram. Quando as condições foram contrárias, abandonamos imediatamente a não violência e usamos os métodos ditados pelas condições”, sintetizou o pensamento de seus compatriotas.
Em 1963, Nelson Mandela é preso e condenado. Só saiu da prisão em 1990 para por fim ao regime ditatorial e segregacionista e se tornar o primeiro presidente negro de seu país, onde os negros representam cerca de 80% da população. Dividiu o Nobel da Paz em 1993 com o último presidente branco do apartheid, Frederik de Klerk, por seu papel nas negociações para instaurar uma democracia multirracial no país. Mandela devolveu a auto-estima ao povo sul-africano e ergueu a economia do país.
A grandiosidade de Mandela se forjou na luta cotidiana de seu povo, como se forjam os grandes heróis. Ele se tornou um dos maiores símbolos da luta por um mundo mais igual.  Ele iniciou sua trajetória fundando a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano para organizar os jovens e orientar suas atividades por participação na vida política do país.
Foi Mandela quem dirigiu o braço armado do CNA, após perceber que a luta pacífica enfrentava enormes dificuldades de execução, devido à repressão da minoria branca. Dessa forma, transformou-se no mais importante líder popular da história da África do Sul e pela liderança na luta contra o racismo e pela democracia constituiu-se numa figura exponencial para todos os que acreditam num futuro melhor para todos.
No seu 95º aniversário, os sul-africanos comemoram a data, proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2010, como o Dia Internacional de Nelson Mandela. Em seu país milhões saíram às ruas para as comemorações oficiais do governo sul-africano, mas também para demonstrar o seu amor ao principal líder de sua história.
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O líder negro mostrou a mesma tenacidade em toda a vida para chegar à presidência de seu país após passar 27 anos na prisão do apartheid. Mandela é uma dessas pessoas raras abnegadas que dedicam a vida à causa da humanidade para levar a mensagem de fé na própria humanidade e na justiça social com liberdade e igualdade de direitos. Por isso, conhecer a vida de Nelson Mandela é conhecer a história da África do Sul e do mundo do século 20.
A CTB manifesta solidariedade ao povo sul-africano pela perda de seu maior líder, mas mantém a certeza de que a luta continua firme e forte para a construção de um mundo mais igual, justo e solidário e Nelson Mandela foi um dos construtores dessa luta. A África do Sul perdeu seu líder e o mundo um dos maiores heróis da história da humanidade.
 Direção da CTB 
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