Ex-Botafogo, atacante Alexandro Créu revela: 'Já treinei bêbado e cheirado'

Alexandro, atacante do Náutico (Foto: Antônio Carneiro)
Reabilitado no Penapolense, Alexandro já anotou cinco gols no Paulistão (Foto: Antônio Carneiro)

Globo Esporte

Um dos vice-artilheiros do Campeonato Paulista com cinco gols, o atacante Alexandro Créu, do Penapolense, poderia estar morto há bastante tempo. A sentença é dele próprio. Nascido em Cabo Frio (RJ), o jogador, de 27 anos, que já passou por times da Itália, Coreia e várias equipes do Rio, revela que perdeu muito dinheiro e saúde com bebidas e drogas, inclusive antes de treinar.
– Perdi meus pais muito cedo e não tive estrutura familiar. Então caí na conversa de falsos amigos. Me iludi com a fama e o dinheiro do futebol e me tornei alcoólatra e viciado em cocaína. Até 2012, faltei a muitos treinos porque estava em favelas do Rio usando drogas. Quando ia treinar, chegava bêbado ou cheirado – dispara o atacante.
A carreira de Alexandro começou aos 14 anos. Após fazer testes em equipes do Mato Grosso, ele passou um período na Itália, na equipe juvenil do Roma. De volta ao Brasil, o atacante se tornou profissional na Cabofriense e começou a se destacar em 2008, quando atuava pelo Resende, ocasião em que foi considerado o atacante revelação do Campeonato Carioca. Com as boas atuações, foi contratado por seu clube do coração, o Botafogo. Foi aí que as coisas começaram a desandar.
Faltei a muitos treinos porque estava em favelas do Rio usando drogas. Quando ia treinar, chegava bêbado ou cheirado"

Alexandro Créu, atacante do Penapolense
– Para uma pessoa humilde como eu era muito dinheiro na conta. Então aconteceu muita coisa: como eu bebia e cheirava muito, bati carro, fui parar em delegacia, fiz dívidas com traficantes, tive quatro filhos, cada um com uma mulher. Dei muita sorte em não morrer nessa época – avalia o atleta.
Ainda em 2008, Alexandro rescindiu o contrato com o Botafogo e foi para o Santo André. No clube paulista, ainda viciado em álcool e cocaína, nem chegou a jogar. Foi, então, convidado a voltar para o Rio pelo ídolo Romário, à época no América-RJ.
Dali, o peregrino ainda foi para a Coreia do Sul, voltou para o Duque de Caxias, Resende de novo, Náutico, Macaé... até ficar desempregado por cerca de seis meses, em 2012.
Nesse ano, a vida do atleta mudou. Alexandro conheceu a namorada, que se tornaria sua esposa. Ela cuidou dele e o estimulou a frequentar uma igreja.
– Devo tudo à minha esposa. Na época em que nos conhecemos, nem roupas eu tinha mais. E ela me deu abrigo, comida e uma religião. Hoje estou "na gló" – diz o jogador, em uma abreviação da expressão "na glória de Jesus".
Alexandro chegou ao Penapolense em maio de 2013 graças à confiança da diretoria. O gerente de futebol do clube, Paulo de Carvalho, lembra que ninguém mais dava crédito ao atleta, mas que ele e o ex-presidente Nilso Moreira fizeram a aposta. O cartola revela que, já na chegada do atacante, a vida turbulenta dele virou motivo de piada.
– Todos merecem uma segunda chance na vida e o Alexandro teve essa oportunidade aqui em Penápolis. Quando fui buscá-lo no aeroporto brinquei dizendo que tinha conferido a longa "capivara" (gíria para ficha criminal) dele. Ele riu e disse que o importante em seu currículo eram os gols marcados – revela o gerente de futebol.
Alexandro se diz feliz e curado dos vícios. Além de se recuperar e despertar o interesse de um grande clube, ele deseja se desculpar com muita gente que diz ter prejudicado nos anos de rebeldia.
– Aprendi muita coisa com a minha esposa e a minha religião. Fiz mal a muita gente e ainda vou procurar um por um para pedir perdão – arremata o atacante.
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