Motorista de ônibus atropela e mata outro depois de discussão no trânsito; vítima foi arrastada

O ônibus que Francisco dirigia
O ônibus que Francisco dirigia Foto: Bruno Gonzalez / Extra
Ana Carolina Torres, Bruno Gonzalez e Luã Marinatto

Uma batida de trânsito terminou com a morte de um dos envolvidos, na manhã desta terça-feira, na pista lateral sentido Centro da Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, Zona Norte do Rio. Segundo informações da Polícia Militar, o acidente envolveu dois ônibus, um da Viação Bangu e outro, da Paranapuan.
A grade do ônibus do motorista atropelador
A grade do ônibus do motorista atropelador Foto: Bruno Gonzalez / Extra
Segundo Ricardo Luciano, fiscal da Viação Bangu, Francisco Edvaldo da Silva, de 42 anos, motorista de um dos coletivos da empresa, saltou e pediu para o colega de profissão fazer o mesmo, para que pudessem conversar sobre o prejuízo. O pedido foi recusado. Para impedi-lo de deixar o local, Francisco, então, se colocou na frente do outro ônibus, da Viação Paranapuan. Ele acabou sendo atropelado.


Francisco Edvaldo não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Souza Aguiar
Francisco Edvaldo não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Souza Aguiar Foto: Bruno Gonzalez / Extra
A vítima foi arrastada por cerca de 500 metros. Francisco foi levado para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro da cidade. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte dele. O atropelador, identificado como Jailton Santos Silva, de 31 anos, fugiu do local. Segundo advogados da Paranapuan, ele voltou para a garagem da empresa, na Ilha do Governador, e contou que teria se envolvido numa confusão.
Jailton deixa a delegacia de Bonsucesso e segue para a DH
Jailton deixa a delegacia de Bonsucesso e segue para a DH Foto: Bruno Gonzalez / Extra
Os advogados da viação, então, o aconselharam a se apresentar à polícia. Jailton primeiro foi para a 35ª DP (Campo Grande) e de lá foi levado para a 21ª DP (Bonsucesso). A grade do ônibus que ele dirigia ficou no local do atropelamento e foi recolhida por Ricardo Luciano. Ela tem o número de ordem do coletivo da Viação Paranapuan e será entregue à polícia.
No início da tarde a Divisão de Homicídios (DH) assumiu o caso. Jailton foi levado para a especializada, onde prestará depoimento. Peritos seguiram para o local do atropelamento e buscam câmeras de segurança que possam ter filmado o que aconteceu.
‘Assassinato’
O cobrador do ônibus da Viação Bangu, Elmo Ferreira, de 34 anos, contou que trabalhava com Francisco Edvaldo há cerca de um ano. Ele descreveu o acidente e o relato coincide com o que foi feito por Ricardo Luciano:
- O Francisco era uma pessoa calma. Não era de arrumar confusão por besteira. Mas nossa profissão é muito estressante. De qualquer forma, não justificava um ato como esse do outro motorista. Tenha ele sido culpado ou não do acidente, o assassinato não se justifica.
O cobrador Elmo, emocionado, lembra a morte do colega
O cobrador Elmo, emocionado, lembra a morte do colega Foto: Bruno Gonzalez / Extra
Elmo contou que quando saiu do ônibus para ver o que havia acontecido, ouviu os passageiros dizendo: “O ônibus está levando ele”.
- Achei que estivesse levando dentro do ônibus, mas na verdade ele estava arrastando o Francisco. Quando me disseram que ele estava caído mais à frente, foi que entendi. Cheguei e o vi muito machucado, tentei falar com ele, mas acho que já estava morto - lembrou o cobrador, emocionado.
Marcelo Bernardo, gerente jurídico da Viação Bangu, contou que o o motorista morto trabalhava na empresa há cinco anos:
- Francisco era nosso funcionário desde 2009 e não há nada em seu histórico que desabonasse a conduta dele.
Sindicato lamenta morte
Em nota, o Rio Ônibus - sindicato das empresas de ônibus do Rio - lamentou a morte de Francisco Edvaldo e informa que vai colaborar com as investigações:
"O Rio Ônibus lamenta a morte do motorista Francisco Edvaldo da Silva e informa que o consórcio Internorte está colaborando com a polícia, e vai fornecer as imagens do circuito interno dos ônibus e prestar as informações que sejam necessárias para ajudar na investigação. A Viação Bangu está prestando assistência à família do rodoviário, que trabalhava na empresa desde 2009.



O consórcio Internorte também condena a atitude do outro motorista envolvido, que está em desacordo com o comportamento esperado de um profissional do setor e com o treinamento que recebeu na empresa onde trabalhava. O mesmo já se apresentou à polícia."


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