Cabofriense, pequeno que pensa grande no Carioca. Time recebe ajuda da Prefeitura de Cabo Frio, e vai bem. Contra Botafogo, Vasco e Flu, duas vitórias e um empate. Sucesso em campo ajuda a divulgar a cidade, diz prefeito.


Prefeito de Cabo Frio, Alair Correa falas aos jogadores da Cabofriense no vestiário do time Foto: Divulgação / Divulgação

Prefeito de Cabo Frio, Alair Correa falas aos jogadores da Cabofriense no vestiário do timeDIVULGAÇÃO / DIVULGAÇÃO

Paulo Roberto Araújo \ O Globo
RIO — Empatar com o Fluminense foi considerado um tropeço na Cabofriense. Sem medo de inverter os papéis, o time da Região dos Lagos pensa grande. Vencer os quatro maiores do Rio era a meta. Após ter superado Vasco e Botafogo, e “tropeçado” diante do tricolor, o objetivo passou a ser derrotar o Flamengo, na última rodada (23 de março), para conquistar com chave de ouro a vaga na semifinal. Planos nada modestos para um clube com folha salarial de R$ 300 mil e que pretende ir além dos limites da sua cidade.
— Ganhar pontos dos grandes encurta o nosso caminho para a vaga. Em nove pontos, conseguimos sete, e isso é fantástico. Contra o Flamengo, queremos entrar para ganhar. Temos crédito — disse Valdemir Mendes, presidente da Cabofriense e secretário de Fazenda de Cabo Frio.
Antes de se tornar estadual de fato, e ser um time não apenas de Cabo Frio, mas de toda a Região dos Lagos, a Cabofriense vive do incentivo municipal. Ainda que a prefeitura garanta que não invista dinheiro diretamente, o prefeito Alair Corrêa trabalha pela imagem do time e da cidade, seja na ajuda para obtenção de patrocínios (quatro, ao todo) para o time ou no apoio moral durante as palestras que costuma fazer no vestiário dos jogadores após as partidas.
— Vou sempre ao vestiário falar com os jogadores. Falo sobre futebol e também sobre a história do clube. Mas aproveito para pedir mais uma vitória — disse Alair, um dos fundadores do clube, do qual é presidente de honra, e de quem o estádio Correão herdou o nome.
Propaganda, alma do negócio
Para o prefeito, vencer não significa apenas mais três pontos na tabela: a campanha publicitária de Cabo Frio começa em campo.
— Vejo na Cabofriense a maior oportunidade de divulgar não só o time, mas a cidade de Cabo Frio. É uma visibilidade permanente, de alcance até internacional devido à transmissão de TV. Se fôssemos pagar por essa divulgação, não teríamos como — explicou Alair.
Enquanto o time subia na tabela, Cabo Frio ganhava espaço como um dos destinos mais visitados no verão. A secretaria de Turismo previu que 10 mil turistas passariam em fevereiro pela cidade, que tem 190 mil habitantes. Mas com o Estádio Correão vetado pelo Corpo de Bombeiros para jogos com times grandes, não houve chance de ver a Cabofriense em casa.
— Queremos reformar o Correão e aumentar a sua capacidade para 18 mil pessoas. Estamos próximos do Rio e temos um aeroporto internacional e belezas naturais abundantes. Queremos jogar com os grandes em nosso estádio e estamos trabalhando para isto, porque será ótimo para a cidade e para o time — declarou Mendes.
Jogar fora de Cabo Frio tem sido até melhor para a Cabofriense, e os resultados obtidos só aumentam a expectativa de o time chegar à semifinal. Pela primeira vez em sua história, a equipe venceu o Vasco em São Januário, por 2 a 1, de virada. Também derrotou, pelo mesmo placar, o time reserva do Botafogo, em Macaé, que foi palco do empate com o Fluminense. Este, quando o time vencia até os 47 minutos do segundo tempo. Aí, Fred salvou o tricolor.
— Esse empate deixou um gosto amargo, porque jogamos bem e levamos o gol no fim. Mas tudo bem, porque era o Fluminense — disse Mendes.
Não há mistério para o sucesso da Cabofriense. O time é modesto, mas experiente. Tem jogadores como o lateral-esquerdo Leandro, de 34 anos, ex-Palmeiras e Fluminense. E o atacante Fabrício Carvalho, de 36 anos, que tem feito os gols decisivos. O zagueiro Arthur Sanches passou pelo Flamengo, enquanto o atacante Bruno Veiga foi emprestado pelo Fluminense.
O técnico, que começa a chamar atenção, é o mineiro Alexandre Barroso. Apesar de pouco conhecido, é experiente, tem 51 anos, e já treinou times de menor expressão em Minas Gerais e o Al-Hilal, da Arábia Saudita.
"As metas estão sendo alcançadas aos poucos. Próximo passo é colocar a Cabofriense na semifinal do Carioca", escreveu Barroso em seu twitter.
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