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sexta-feira, 7 de março de 2014

Rock in Rio vai a Las Vegas no ano que vem

Primeira edição americana do Rock in Rio vai reunir 340 mil em maio de 2015
Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo
Armado de pesquisas, croquis, um filmete de ação (estrelado por Donald Sutherland nas ruas de Praga) e mais meio milhão de dólares para gastar em publicidade, o empresário Roberto Medina fincou residência em Nova York essa semana e lança no dia 15 a primeira edição do Rock in Rio em terras americanas.
 - Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão
O Rock in Rio USA chega a Las Vegas em maio do ano que vem precedido de um gigantesco bombardeio publicitário. Em setembro próximo, Medina fecha duas quadras de Times Square (e 80% dos telões) com um coquetel para promover o festival, colocando em um palco no meio da rua a cantora Alicia Keys e o grupo francês Tambours du Bronx para duas performances de 15 minutos cada.
A Cidade do Rock à moda do Tio Sam será construída ao lado do hotel Circus Circus, na Las Vegas Strip, área de 150 mil m² no coração da cidade, pela gigante MGM (a quem o empresário vendeu o desenho do projeto). A operação será do Cirque du Soleil. Centenas de salas de cinema transmitirão os filmes do festival, que tem no grupo NCM, de cinema e anúncios, um novo media partner. A cadeia NCM possui cerca de 20 mil salas e vende um bilhão de ingressos por ano nos Estados Unidos.
Medina diz que uma única atração brasileira pisará o palco principal, assim como algumas latino-americanas, isso porque ele não quer ser visto "como um evento latino, mas eclético", mas vai distribuir diversas outras pelo palco secundário, artistas do samba, da bossa e do chorinho. "É obrigação do festival divulgar a nossa música", afirmou.


O Rock in Rio USA terá um custo de US$ 75 milhões e 340 mil espectadores (85 mil para cada uma de suas quatro noites). Ao final de cada noite, um DJ parte em uma máquina voadora por cima do público, encaixando-se no Palco Mundo e finalizando a jornada.
A aventura americana de Roberto Medina tem um motivo especial: este ano, ele vendeu metade do Rock in Rio para o bilionário norte-americano Robert Sillerman, de 65 anos, dono do conglomerado de entretenimento STF/Live Nation, a maior empresa americana do ramo – que tem, no seu "cardápio" artístico, nomes como U2, Yes, Lady Gaga, System of a Down, Justin Bieber, Green Day, Ozzy Osbourne, Black Sabbath, Billy Joel, Maná e dezenas de outros.
Medina conta que foi convidado por um executivo amigo de Sillerman para conversar com o investidor em Nova York. Curiosamente, Medina estava mesmo a caminho da cidade. Dois dias depois, encontraram-se. "Seu sócio (Eike Batista) não está vivendo um momento bom. Se quiser vender, eu compro. Eu trabalhei com propaganda no início da minha vida e você é o único cara no mundo que pensa em termos de comunicação a música", disse-lhe Sillerman. Eike Batista topou vender parte de sua sociedade a Sillerman e Medina vendeu outra parte. "Foi muito rápido, não demorou duas reuniões para resolver esse assunto. Ele me seduziu porque é do ramo. É um parceiro que tem uma musculatura que eu não tenho. E está buscando a expansão para o mundo todo, assim como eu."
Há uma inflexão muito forte para o lado da música eletrônica na região do novo Rock in Rio e essa também é a marca do novo sócio, Sillerman, dono ainda dos festivais Tomorrowland (que, está confirmado, instala-se no Brasil em breve, a operação já começou) e Mysteryland, de música eletrônica. Só os festivais eletrônicos do bilionário faturaram US$ 250 milhões no ano passado.
Capital. Mas Medina continua na direção artística da mostra. Diz que a SFX é parceira de capital, e que nenhuma parte do Rock in Rio é gerida por eles. Eike Batista tinha 50% e ficou com 20%, e cada um, Medina e Sillerman, ficou com 40%. E, na holding que controla o empreendimento, ficou 50% a 50%. "Eu tenho a impressão que ele (Eike) está focando nas coisas que pode focar. Acho que a vida dele vai tomar outro rumo. Mas foi bom pra ele isso, ele fez um excelente negócio", disse Medina.
Ele crê que o atual momento econômico brasileiro possa ter reflexos na acolhida americana. "O Brasil está despejando US$ 25 bilhões em gastos de turistas no Exterior. Nova York é o terceiro maior gasto. Orlando, na Flórida, a gente já nem sabe se tem americano ou se é só brasileiro. E Las Vegas não tem nada. Então, acho que é uma visão inteligente dos empreendedores da cidade chamarem o Rock in Rio para se estabelecer ali", pondera.
Medina andou observando os concorrentes diretos, os festivais Coachella (Indio, Califórnia) e Lollapalooza (Chicago) e crê que leva vantagens consideráveis em termos de organização e serviços. "Tenho certeza de que vou cometer erros novos, porque é um mercado novo. É uma coisa muito bacana, e eu estou vivendo aqui, do ponto de vista emocional, um desafio muito semelhante ao que vivi no primeiro Rock in Rio."
O Rock in Rio USA ocorre no ano em que se comemora o 30º aniversário do festival, cuja primeira edição se deu no Rio em 1985. Na agenda internacional do festival, o próximo evento é o de Lisboa, em maio deste ano, com Queens of the Stone Age, Justin Timberlake, Robbie Williams e Arcade Fire no elenco, além da onipresente Ivete Sangalo. Em 2015, haverá o festival norte-americano e, em setembro, a mostra volta ao Rio de Janeiro.
Por conta do investimento, a edição norte-americana deve "exportar" para o Brasil, em setembro de 2015, novos truques tecnológicos. "Quero me esmerar na entrega, na qualidade artística, em toda a engrenagem do festival em Las Vegas. Se eu puder entregar o que estou sonhando, acho que é um gol para o Brasil. A gente é importador a vida inteira, e agora vai ser exportador. E para o maior mercado do mundo."
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