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(Jesus Cristo)







sexta-feira, 18 de abril de 2014

Chefs da Região dos Lagos dão dicas para obter sucesso nas receitas.

Cozinheiro casual adora receber amigos para fazer pratos elaborados
Internet é a principal aliada para quem quer se aventurar na cozinha.
Flavio FlarysDo G1 Região dos Lagos
Logo Inter TV Gastronomia (Foto: Inter TV)
Fim de semana. A receita foi escolhida, os utensílios estão a postos, os ingredientes selecionados e a profusão de temperos já foi posicionada. A cozinha não é industrial, não há ajudantes e o jantar é para poucas pessoas. O cardápio da noite não é composto de pratos tradicionais da culinária brasileira, como arroz, feijão, batata frita ou farofa. O prato é super elaborado, afinal, a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte! Esta cozinha é o cenário de mais um cozinheiro experimental (ou casual), figura que não perde a oportunidade de reunir os amigos em torno da mesa e cuja proporção tem aumentado consideravelmente nos últimos anos.
A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte"
Titãs
Embora muito utilizado, o termo "chef amador" é uma contradição. "Ser chef e ser amador é um antagonismo, ou se é chef profissional ou se é um cozinheiro amador. O que diferencia um chef de alguém que cozinha esporadicamente é o fato de trabalhar com um certo volume de pessoas para servir em no máximo 20 minutos com pratos diferentes, entradas diferentes e sobremesas diferentes, todos eles bem preparados e com uma certa constância e profissionalismo. Ser chef é ser comandante de uma cozinha, com rigor e disciplina. Necessita de um certo investimento para ter os alimentos em condições adequadas, alguns procedimentos com aparelhos profissionais, e não é um amador que fará tudo isso de forma profissional", diz Elisabet Persiani, chef do restaurante Cigalon, em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. 
Explorador de sabores
Ches Elisabet Persiani e Laurent Laos dão dicas para o cozinheiro casual (Foto: Divulgação)Chefs Elisabet Persiani e Laurent Laos dão dicas para o cozinheiro casual (Foto: Divulgação)
A principal aliada do cozinheiro experimental é, sem dúvida, a internet. O tradicional livro de receitas da vovó perdeu espaço e tornou-se decoração na cozinha. Com tantos tutoriais, receitas diferenciadas e vídeos disponíveis na rede, a qualidade destes cozinheiros melhorou consideravelmente. "A internet é um bom início, e dá às pessoas um interesse e conhecimento maior das culinárias internacionais", acredita Laurent Le Saos, professor de gastronomia em Cabo Frio, também na Região dos Lagos. "Hoje em dia, encontramos muitos vídeos feitos para o grande público que são muito interessantes. Pode-se aprender por internet sim, mas a prática em todos os casos será fundamental. Deve-se estudar, praticar e deixar a curiosidade tomar conta e ir fundo. É preciso amar a gastronomia e pensar que o fato de alimentar um ser humano é um ato supremo: ele nos entrega seu corpo para isto!", acredita Elisabet.
Autodidata
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Fernanda Carriço e criações (Foto: Marcos Homem e Arquivo Pessoal)Fernanda Carriço e criações: frango assado com legumes, ervas e bacon e um sanduíche de bolo de carne (Fotos: Marcos Homem e Arquivo Pessoal)
A paixão pela gastronomia da jornalista e cozinheira Fernanda Carriço, moradora de Arraial do Cabo, Região dos Lagos, surgiu quando ela tinha apenas 10 anos, idade que começou a se aventurar entre as panelas. Seu primeiro prato foi um panetone. "Até hoje me lembro do cheiro dele!", recorda. Autodidata, já foi proprietária de um bistrô em Niterói, onde criava as próprias receitas do cardápio. Suas principais fontes de aprendizado são livros e programas de televisão. "Sou apaixonada por gastronomia e, modéstia à parte, eu cozinho muito bem. Às vezes, em casa, eu abro a geladeira, vejo o que tenho disponível e crio uma receita. No meu bistrô, eu criei um creme de bacalhau gratinado que tornou-se um grande sucesso", diz ela.
É preciso amar a gastronomia e pensar que o fato de alimentar um ser humano é um ato supremo: ele nos entrega seu corpo para isto!"
Elisabet Persiani, chef
A escolha de produtos de qualidade é um dos maiores segredos de quem se aventura na cozinha, e a oferta de ingredientes diferenciados é cada vez maior nos mercados e delicatessens. O cozinheiro casual tem prazer em impressionar convidados com um produto especial, sofisticado. "Hoje em dia, acredito que todo mundo pode cozinhar. Devido ao acesso aos produtos, deve-se privilegiar sempre a qualidade da matéria-prima, como peixe fresco, legumes da estação, produtos orgânicos e, claro, muita imaginação! Além disso, sempre experimentar coisas novas até chegar ao sabor perfeito", diz Laurent.
Segundo ele, todo cozinheiro experimental tem que ter muita imaginação na elaboração dos pratos. Já o maior erro cometido é a desorganização: "Se tivermos um filme como exemplo, nem todas as cenas são feitas na mesma sequência. Sempre deverão ser feitos os cozimentos e as preparações mais demoradas para depois as mais rápidas. Nem sempre as pessoas pensam nisso. É necessário ler atentamente a receita, porque quem escreveu sabe o que faz e já teve as experiências boas e ruins dela". Para Elisabet, o que não pode faltar para um aprendiz de chef é a humildade: "O Ferran Adrià (chef espanhol considerado um dos melhores do mundo), por exemplo, aprendeu a cozinha de base para depois revisitá-la. Tem gente que quer se lançar à cozinha molecular e sequer sabe fazer uma boa omelete".
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