Em Búzios, polícia prende traficantes suspeitos de ataques a UPPs no Rio

Piná, da Vila Cruzeiro, e 2D, do Alemão, foram levados à Cidade da Polícia.
Eles teriam ordenado ataques à Corrida da Paz, ao Afroreggae e em Niterói.
Lilian QuainoDo G1 Rio









A polícia prendeu nesta segunda-feira (21) dois suspeitos de articular os recentes ataques a Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs) no Rio. Bruno Eduardo da Silva Procópio, de 33 anos, conhecido como Bruno Piná e apontado como um dos chefes do tráfico na Vila Cruzeiro, e Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D do Complexo, de 26 anos, que estaria à frente do tráfico no Alemão, foram presos em Búzios, na Região dos Lagos, em ação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Federal.
De acordo com policiais, Piná e 2D ordenaram os ataques à Corrida da Paz, no Alemão, da qual participou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, em 2013, e à sede do Afroreggae na favela, onde ficava a redação do jornal  "A Voz da Comunidade". De Búzios, no sábado (19), Piná também teria ordenado  que ônibus e carros fossem incendiados na Rodovia Amaral Peixoto, na altura do quilômetro 4, perto da comunidade do Caramujo, em Niterói, na Região Metropolitana.(Correção: O G1 errou ao publicar que Bruno Piná seria chefe do tráfico do Conjunto da Maré. O erro foi corrigido às 12h35.)
Informações sobre Duda D2 valiam R$ 1 mil (Foto: Divulgação / Disque-Denúncia)Informações sobre Duda D2 valiam R$ 1 mil
(Foto: Divulgação / Disque-Denúncia)
Os dois e mais um terceiro homem, levado para averiguação e cuja identidade não foi revelada, foram levados de helicóptero de Búzios para a Cidade da Polícia, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, onde chegaram por volta das 14h30.
'Sanguinários', diz delegado
“Temos informações de que eles eram bastante sanguinários e estavam envolvidos em ataques a UPP e em Niterói. Eles não resistiram à prisão, foram cumpridos os mandados sem darmos um disparo”, disse Carlos Eduardo Thomé, delegado da Polícia Federal. "Essas prisões foram fundamentais para a segurança da cidade", acrescentou.
A ação na Região dos Lagos contou com dois helicópteros e assustou moradores. O Disque-Denúncia oferecia R$ 5 mil pela prisão de Piná, uma das maiores recompensas já pagas. A recompensa pela prisão de Duda 2D era de R$ 1 mil. Piná tem seis mandados de prisão, dois deles por homicídio, e 2D tem três mandados, todos por tráfico. Eles faziam parte da quadrilha de FB e, depois da prisão dele, em 2012, ganharam mais força no controle do tráfico do Alemão, de acordo com a polícia.
Chega de de Piná e 2D, levados de helicóptero de Búzios para a Cidade da Polícia (Foto: João Laet / Agência O Dia / Estadão Conteúdo)Chegada de Piná (no alto, de camiseta azul escuro à esquerda) e 2D (sem camisa) à Cidade da Polícia
(Foto: João Laet/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)
Casa alugada por R$ 7 mil
Os suspeitos estavam em uma casa de luxo alugada por R$ 7 mil em Tucuns, ao lado de Geribá, em Búzios. Os dois  estavam lá com suas famílias para passar o feriado da Páscoa, segundo a polícia. A residência tem quatro suítes e os confortos típicos de uma casa de veraneio: churrasqueira e piscina. Policiais que monitoraram o movimento no local disseram que nem Piná nem 2D saíam da casa. Na garagem, havia um Corolla, um Onix e um Gol.
O imóvel foi localizado por volta das 5h desta segunda. Às 11h40, uma equipe de 15 agentes entrou na casa. Segundo Sérgio Sahione, da Inteligência da Secretaria de Segurança, 2D tentou fugir para um terreno ao lado, mas quando viu que estava cercado, se entregou. No local não foram encontradas armas ou drogas, mas havia uma quantidade de dinheiro calculada em R$ 9 mil, segundo os policiais.
Eduardo, o 2D, na chegada ao Rio (Foto: Lilian Quaino / G1)Eduardo, o 2D, na chegada ao Rio (Foto: Lilian Quaino / G1)
Ataques a UPPs
Desde o início de 2014, criminosos praticaram uma série de ataques a comunidades pacificadas.  Em janeiro, suspeitos atiraram um coquetel molotov contra a UPP do Alemão, no Conjunto de Favelas do Alemão. O artefato atingiu dois carros que estavam parados na frente do prédio. No fim de fevereiro, criminosos incendiaram um contêiner no Morro do Gambá, que fica no Conjunto de Favelas do Lins. Criminosos também atiraram contra a base da Camarista Méier, na mesma ocasião.
Traficantes foram presos em casa de luxo no bairro Capão, em Búzios (Foto: Bebeto Karolla / Folha de Búzios)Traficantes foram presos em casa de luxo em Búzios (Foto: Geovani Cândido/Folha de Búzios)
Também em fevereiro, a soldado Alda Rafaela Castilho, da UPP Parque Proletário, no Conjunto de Favelas da Penha, foi morta após ser baleada na barriga por criminosos, durante uma patrulha a comunidade. No mesmo mês, o policial Wagner Vieira da Cruz foi baleado na cabeça, na Vila Cruzeiro, também no Conjunto de Favelas da Penha, e morreu.
Cartaz do Disque Denúncia mostra recompensa de R$ 5 mil por Piná (Foto: Reprodução)Cartaz do Disque-Denúncia mostra recompensa de
R$ 5 mil por Piná (Foto: Reprodução)
Já em março, o subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro, Leidson Acácio Alves Silva foi morto durante um confronto entre policiais e criminosos. No mesmo mês, policiais da UPP da Rocinha foram atacados a tiros.
Em março deste ano, criminosos atacaram simultaneamente as Unidades de Polícia Pacificadora de Mandela, em Manguinhos, e da Camarista Méier, no Conjunto de Favelas do Lins de Vasconcelos, no Subúrbio. Em Manguinhos, os suspeitos também atearam fogo a dois carros da Polícia Militar. Esses ataques levaram o governo do estado a pedir a ajuda das Forças Armadas ao Governo federal para auxiliar na pacificação do Conjunto de Favelas da Maré.
Quem são os criminosos
De acordo com o Disque-Denúncia, Piná faz parte do tráfico de drogas que age no Conjunto de Favelas da Penha e ainda gerencia alguns pontos de drogas naquela comunidade. Primo do traficante Luiz Fernandes Procópio Ferreira, o Escobar, Piná é apontado como o segundo homem na hierarquia no Complexo da Penha. Pelo Sistema de Cadastramento de Mandados de Prisão, há um mandado de prisão expedido pela 16ª Vara Criminal da Capital, pelo crime de associação ao tráfico.
Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D do Complexo ou 2D ou D2 ou Duda, de acordo com o Disque Denúncia, faz parte do tráfico de drogas que age no Complexo do Alemão e também integra o grupo de criminosos que recebeu ordens para abrir fogo contra as sedes e os policiais das UPPs e da 45ª DP (Alemão). Tudo autorizado por um dos criminosos mais procurados do Rio: Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. Eduardo 2D gerencia parte dos pontos de drogas a mando de Pezão. Pelo Banco Nacional de Mandados de Prisão – CNJ – consta mandado de prisão expedido contra ele por tráfico de drogas.
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Moradores acompanharam operação que aconteceu na manhã desta segunda (Foto: Bebeto Karolla/ Folha de Búzios)2D é levado por policial pelas ruas de Búzios (Foto: Geovani Cândido / Folha de Búzios)
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