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domingo, 13 de abril de 2014

Policiais prendem repórter de O Globo e agridem cinegrafistas

No início da manhã de sexta-feira (11), a situação foi tensa na região de Engenho Novo e Jacaré, zona norte do Rio de Janeiro, onde policiais militares cumprem a reintegração de posse, determinada pela Justiça, de um edifício da empresa Telemar - controladora do grupo Oi, ocupado por cerca de 5 mil moradores há 11 dias. Após uma das lideranças dos manifestantes ser presa, o confronto se acirrou e os policiais usaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para controlar a situação.
Um repórter do jornal O Globo foi detido e demais repórteres e fotógrafos que fazem a cobertura foram agredidos fisicamente e verbalmente por policiais. De acordo com informações do Extra, diário também mantido pela Infoglobo, o jornalista do caso é Bruno Amorim. O veículo de comunicação garante que o profissional teve o celular quebrado e foi levado à delegacia por "fotografar a ação dos militares durante operação de desocupação da Favela da Telerj", sendo liberado na sequência.
Manifestantes atearam fogo a um carro da Polícia Militar e também em um ônibus e feriram três policiais com pedradas. Tentaram incendiar um micro-ônibus da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) que estava estacionado na Rua Álvaro Seixas, no Largo do Jacaré. Homens da tropa de Choque da PM usaram balas de borracha para tentar afastar os manifestantes. Um carro de uma emissora de televisão também foi parcialmente destruído a pedradas.
reporter-preso-oglobo-agredidos-policiaisPoliciais militares entram em confronto com manifestantes e reagem sacando armas durante protesto 
contra desocupação do prédio da Telemar (Imagem: Vladimir Platonow/Agência Brasil)
Com auxílio de uma escada Magirus, os bombeiros conseguiram controlar o fogo ateado ao prédio pelos moradores. No interior do prédio, que fica na Rua 2 de Maio e está abandonado há mais de dez anos, homens do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) usaram retroescavadeiras para destruir os barracos feitos pelos invasores com tábuas de compensado. O policiamento contou com reforço do Batalhão de Choque, Guarda Municipal e três helicópteros, além de uma retroescavadeira, utilizada para desobstruir a rua.
Houve tensão, também, na entrada da favela do Jacarezinho, onde policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tiveram de dispesar manifestantes, no acesso pela rua Álvares de Azeveo, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. De acordo com o tenente P. Norberto, da UPP do Jacaré, o policiamento foi reforçado e os militares fazem a guarda com fuzis, pistolas e escudos.
Um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), instalado na Rua Álvares de Azevedo foi atingido a pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista com pedaços de paus, pedras e pneus. Os militares estão tentando liberar a pista. Agora há pouco, uma equipe de policiais do 3º Batalhão da PM chegou à Rua Álvaro Seixas e disparou tiros para o alto, para tentar controlar manifestantes que atiram pedras contra os militares.
Em nota, o governo estadual informou que cumpre ordem judicial expedida pela juíza da 6ª Vara Cível da Comarca Regional do Méier, Maria Aparecida Silveira de Abreu, que deferiu liminar para reintegração de posse do imóvel localizado na Rua 2 de Maio, no Engenho Novo. A Polícia Militar realiza a operação de apoio aos 40 oficiais de Justiça que cumprem o mandato.
*Edição de Denise Griesinger; colaboração de Douglas Corrêa; alterações da equipe Comunique-se.
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