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domingo, 27 de abril de 2014

Redes Sociais: a comunicação precisa conhecer e monitorar o leitor

Enquanto, em 2012, o 1º Seminário de Redes Sociais do Comunique-se discutia compartilhamento e mudanças diante das novas tecnologias, a segunda edição do evento, realizada em São Paulo, levou o debate para o campo de conhecimento e monitoramento do leitor. Com a participação dos profissionais de Veja, ESPN, Vale, In Press Porter Novelli, SBT e DP6, o encontro reuniu aproximadamente 100 participantes de agências, redação, marketing e relações públicas. Entre os palestrantes, há algo certo: quem quer trabalhar com redes sociais precisa investir, principalmente, em equipe.
Com agenda ao longo de todo o dia, o encontro realizado em São Paulo pelo Comunique-se Educação, divisão de cursos e eventos do Grupo Comunique-se, teve como objetivo discutir as melhores práticas aplicadas às redes sociais e temas atuais do mercado da comunicação digital. Audiência no Facebook, marcas no Linkedin, o trabalho em mídia digital para quem é de TV e os desafios das assessorias no gerenciamento de crise também estiveram em pauta.
Veja, abaixo, a abordagem de cada participante
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Rafael Sbarai, editor de mídia social e interatividade da Veja e professor do programa de pós-graduação em Jornalismo Esportivo da FAAP
O cenário de mudança do papel para o digital trouxe diversos efeitos para a comunicação, como demissão em massa e problemas em redações. Mas, ao mesmo tempo, esse caos exigiu dos profissionais mais criatividade. É um momento de produzir experimentos, tentar novas apostas e aprender com erros e acertos. Quem são os nossos consumidores de conteúdo? Algo que temos que nos atentar tem relação com pesquisas. Recentemente, um estudo descobriu que as pessoas consomem mais comunicação, mas absorvem parcialmente as informações. No universo do jornalismo, é essencial saber quem está acessando o conteúdo no online. Além disso, temos oportunidades que não podem ser desperdiçadas, como por exemplo, os diversos dados que estão na rede. O governo realizou trabalho ligado à transparência. Existem muitas planilhas em Excel que estão acessíveis e temos que entender essas informações, interpretar e transmitir de maneira mais simples para os leitores. O desafio para as empresas de comunicação é: como reunir esses dados e beneficiar a minha redação? Outro ponto importante são as API's. Como podemos usá-las no jornalismo? O uso dessa ferramenta pode ajudar a identificar quem é a sua audiência e avaliar qual o sentimento dela diante de alguns assuntos. O resultado é um vasto banco de dados sobre parte da opinião pública que pode munir a sua redação de pautas e ideias.

João Palomino, diretor de jornalismo dos canais ESPN no Brasil
Precisamos entender qual é a pessoa que está nas redes sociais, o que ela quer, o que ela faz e para onde ela se dirige. Na ESPN, nós tratamos nossos usuários de online de maneira indiscriminada. Em TV, está muito sensível a vontade do telespectador em trocar de canal. Então, não podemos ser chatos ou incomodar. Qualquer forma mais agressiva de passar conteúdo pode fazer com que a audiência mude. No nosso canal, temos que atender o fã do esporte, não importa como. É o nosso conceito. Pelas redes sociais, nossos talentos noticiam, opinam e têm liberdade de postar conteúdo em todas as mídias. Nos perfis oficiais, vamos atrás de informações bem apuradas, conteúdo e investimento em profissionais, pois existe alguém por trás da informação e da tecnologia. Investimos na formação dessa pessoa e isso vai se intensificar cada vez mais. Os programas da ESPN estão nas redes e criam ações como hashtags especiais para tratar dos assuntos, convidando o internauta a participar e interagir. Quem abre a cabeça para o digital não volta mais.

Monica Ferreira, gerente de relacionamento com a imprensa e mídias digitais da Vale
Trabalhamos com várias redes sociais, mas vamos falar sobre Linkedin, onde temos, pelo menos, 1/3 da nossa base de seguidores. Temos gestão compartilhada para trabalhar com essa rede, dividimos com o RH. A comunicação cuida de tudo que tem relação com conteúdo, monitoramente e planejamento. O RH fica responsável pela abertura e fechamento de vagas. Dividida em página oficial, página inicial, carreiras e produtos, a nossa presença no Linkedin apresenta notícias sobre a empresa, sobre o que usamos, nossos valores, programas e projetos. Todo o conteúdo é pensado para a plataforma. Nunca oferecemos coisa demais. Trabalhamos com pouco texto e mais vídeo e fotos, e disponibilizamos linkes para usuários que querem se aprofundar em determinada área. Muitos veículos de comunicação ainda não entenderam, mas o mundo digital não é comunicação de mão única. O internauta espera retorno e interatividade. Nós respondemos todos os nossos internautas, todas as dúvidas, elogios e as pessoas não querem mais receber informação, elas querem trocar informações.


Adriano Brandão, diretor de Criação e especialista em mídias digitais da In Press Porter Novelli
Não existe mais online e offline. Tínhamos um cenário que era somente o site. A internet era feita de página. Atualmente, temos muitos caminhos, sites, redes, mobile, blog, Youtube, etc. O importante é entender que a internet é feita de gente. Eu saio de uma internet feita de página para uma formada por gente, que são pessoas que gostam de memes e conteúdo bem humorado. Temos que entender esse movimento e o fascínio do usuário pelo digital, que não é consolidado ainda. As redes sociais exigem agilidade e as pessoas cobram isso o tempo inteiro e, portanto, esse é um momento importante da era digital. Temos que observar que temos geração de pessoas sentadas no sofá que abraçam todas as causas e que manifestações sérias competem com causas bobas nas redes sociais. Outro ponto é: olhe sempre para a sua marca, pois isso previne crises. Tem que monitorar o que estão falando e analisar os diagnósticos. Isso não resolve a crise, mas ajuda a evitar a possível crise.


Phillipe Carrasco, executivo responsável por criação e distribuição de conteúdo multiplataforma do SBT
Quem mexe com mídias sociais tem de ser o grande curador de conteúdo da marca. Para isso, precisa saber: Qual seu perfil? Qual sua linha editorial? Quais são suas metas? Com essas três questões bem respondidas, o trabalho rende resultados positivos. Ainda hoje a TV é a mídia dominante. Isso vai mudar, tudo vai mudar, mas ainda é a realidade. Então, como o Facebook do SBT vai competir com o canal de televisão? Não vai! As mídias não concorrem e é preciso entender os modelos. Sabemos que, no SBT, o pilar é mantido em informação, entretenimento e família. Temos que informar, entreter e criar conteúdo para as famílias. Quando pensamos no editorial, estudamos como as pessoas usam o Twitter, Instagram, Facebook e Google Plus. A nossa meta é criar engajamento de audiência. O SBT vai investir e apostar muito em mídias sociais. Estamos com o Gentili, que começou uma campanha legal no Twitter, e criamos o Instagram oficial da emissora, com conteúdo dos apresentadores, jornalistas e de quem faz o canal. O 'SBT na Web' foi um acerto, pois estamos testando formatos lá.


Gabriel Ishida, analista sênior de inteligência em mídias socias na DP6  e professor do curso "Monitoramento em Mídias Sociais" no Comunique-se Educação
Quando olhamos e analisamos um post no Facebook, Youtube ou outra rede, não podemos olhar para isso de maneira fria. Tem que entender que a mensagem que está ali vem de outro ser humano e tem que descobrir como e o motivo daquela pessoa ter feito ou compartilhado determinada publicação. As pessoas falam sobre quase tudo hoje em dia, opinam sobre diversos assuntos. Os usuários falam da marca, dos concorrentes e do mercado. Isso é importante no contexto da agência e do monitoramento. Podemos analisar, consolidar e dar sentido aos dados para gerar insights. Descubra as necessidades e comportamentos do público do seu mercado. O que vejo atualmente é que muitas empresas estão preocupadas com o monitoramento, mas não estão dispostas a investir nesse tipo de trabalho. Você precisa de estrutura, ferramenta e equipe para gerar os relatórios. Isso não é barato. Existem ferramentas de monitoramento gratuitas, mas o maior investimento é no profissional. O analista é essencial neste tipo de trabalho.

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