Integrantes do movimento negro criticam campanha #somostodosmacacos

Após a polêmica campanha "#somostodosmacacos", lançada pelo jogador Neymar, dividir a opinião de artistas, jornalistas e até da presidente Dilma Rousseff nas redes sociais, integrantes do movimento negro também usaram a internet para tecer críticas à iniciativa criada pela agência Loducca em resposta ao pedido do atleta.
Crédito:Agência Brasil
Ministra Luiza Bairros disse que campanha é leviana
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse à Agência Brasil que a campanha é leviana e busca transformar a imagem do macaco em algo positivo, quando tem uma conotação essencialmente negativa para negros. 
“O que existe é uma tendência de considerar o racismo como um fenômeno superficial na sociedade brasileira, ou em qualquer outro lugar do mundo: algo que se manifesta como um dado isolado, como uma expressão de indivíduos que praticam atos racistas”, ponderou.


O professor de história e integrante da UNEafro Brasil, Douglas Belchior, avaliou que a conduta do jogador Daniel Alves, que comeu uma banana jogada contra ele, em partida realizada no último domingo (27/4), foi “interessante, provocativa”, mas critica a campanha deflagrada em seguida. Para ele, a associação de negros a macacos é um modo de reprodução do racismo. 

Crédito:Reprodução
Campanha encabeçada por Neymar foi criada pela agência Loducca
Já a jornalista Aline Pedrosa defende a campanha. “Mesmo sendo branca, me reconheço com traços dos meus ancestrais, que são negros. Não nego minhas origens, muito pelo contrário, as estudo e as exalto. Para mim, a mobilização significa união – todos somos um – e, acima de tudo, desprezo a uma atitude vergonhosa como essa, e que, sabemos, não rola só fora do Brasil, muito pelo contrário”.

O cineasta Joel Zito de Oliveira, que dirigiu o filme "A Negação do Brasil", que trata da representação dos negros na mídia, avalia a iniciativa como um “equívoco” por esconder a negritude e não ser capaz de enfrentar o racismo. 

Ele avalia que a proporção obtida pela iniciativa também está relacionada ao conteúdo dela. “Tudo que é feito, e que de fato não incomoda e não muda a questão racial no Brasil, tende a ter aceitação mais fácil”, ressaltou. “Branco comendo uma banana ou colocando sobre a cabeça pode virar Carmen Miranda, carnaval. Com o negro é outra coisa. Mas a postura da sociedade brasileira sempre foi no sentido de evitar o confronto”, completou.
Portal Imprensa
0