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terça-feira, 10 de junho de 2014

Do preconceito a prostituição. Travestis abandonam suas atividades, do dia a dia, em ambientes comuns de trabalho, para viverem da prostituição


Exibindo Jôh Ribeiroh, faz programas há dez anos e sonha com o dia de deixar as ruas.JPG

Texto e Fotos: Katyuscia Chaparral
Em um salto plataforma de 12 cm, com um micro short jeans e um top, Jôh Ribeiroh “nome social”, de um travesti de 29 anos, já está pronta para mais uma noite de prostituição, pelos bares localizados às margens da Rodovia Amaral Peixoto, com programas que variam de 30 a 50 reais.
-Toda noite, quando saio de casa, não sei se vou voltar, já sofri várias agressões físicas, durante esses dez anos que faço programa. Ninguém se prostitui por que gosta. O preconceito existe! No entanto, acredito que não devemos deixar de acreditar em um mundo melhor, livre das tantas formas do preconceito. Sonho com o dia que vou sair das ruas, e ter uma oportunidade, de verdade, em minha vida- declarou Jôh Ribeiroh.
Exibindo Tayla Platiny, o primeiro Travesti de Tamoios.JPG
Jôh é um dos nove travestis que se prostituem em Tamoios, 2° Distrito de Cabo Frio,  com uma média de cinco programas por noite, sob a proteção de Tayla Platiny, um travesti de 28 anos, alta, magra, cabelos lisos, negros e longos, que se veste de forma sensual, com um micro vestido, salto alto e bem maquiada, chamando atenção por onde passa.
- Comecei a me transformar aos 17 anos, naquele tempo a minha família ainda não sabia que eu era um travesti. Eu me produzia escondida na casa de amigos, passei um ano fazendo isso, até tomar coragem e contar para os meus pais. Na época fui a primeira travesti de Tamoios- relatou Tayla.
Segundo o Presidente do Grupo Iguais “Associação sem fins lucrativos que possui como objetivo defender os direitos da comunidade LGBT, Rodolpho Campbell, que se encontra no segundo mandado consecutivo, a frente da instituição”, ultimamente existem na cidade de Cabo Frio cerca de 50 travestis, se prostituindo, sendo a maior concentração deles na rodoviária da cidade.
Exibindo Jôh Ribeiroh, um dos travestis que se prostitui no município de Cabo Frio.JPG
- Geralmente o preconceito e o cerceamento são os principais fatores, que levam um travesti a prostituição, tendo em vista que, através do preconceito, as demais atividades que eram realizadas, no dia a dia, em ambientes comuns de trabalho, são abandonadas- comentou o presidente.
Rodolpho Campbell disse ainda que, a questão da prostituição de travestis, na cidade, é antiga, sendo que vem aumentado consideravelmente. Rodolpho, relembrou também que, já havia denunciado, a algum tempo atrás, em um fórum realizado na Câmara Municipal dos vereadores de Cabo Frio, a exploração sexual, de menores, na cidade, denúncia esta que levou, na época, a apreensão dos mesmos.
Exibindo Rodolpho Campbell, presidente do Grupo Iguais.JPG
Campbell finalizou dizendo que, em busca de soluções e parcerias, para combater o aumento da prostituição e trabalhar a importância da conscientização da população, "tendo em vista que, o travesti é uma pessoa que não reconhece psicologicamente o sexo que possui, sendo assim diagnosticado com o transtorno da identidade de gênero", já esteve, há alguns meses, com o Prefeito da cidade de Cabo Frio, Alair Corrêa (PP), onde foi realizada, na ocasião pelo prefeito, a promessa de criar uma Coordenadoria LGBT, destinada a políticas públicas específicas para o segmento.

O Grupo Iguais surgiu em 2007, fundado pela Jornalista Renata Cristiane, com o intuito de buscar, através do ativismo, a inclusão social, não apenas no contexto LGBT, mas de uma forma geral. Desde então, o grupo vem trabalhando, combatendo, todas as formas de preconceito, seja ela racial, social, sexista ou homofóbico, buscando a conscientização da sociedade, através de palestras e simpósios, realizados em escolas e universidades da região.


Com projetos, realizados através de parcerias, onde preservativos e panfletos informativos são distribuídos gratuitamente, o grupo possui também uma sede, onde cerca de 500 pessoas foram atendidas por mês, em 2013. Localizada, atualmente, na Rua Casimiro de Abreu n° 297, sala 04, no centro de Cabo Frio, com funcionamento de segunda a sexta-feira, sendo: segundas; quartas e sextas das 08h30 às 17h; e terças e quintas das 08h30 às 12h30. Em breve, a associação estará em novo endereço, com um espaço mais amplo, onde poderá voltar a oferecer, gratuitamente, atendimentos sociais.

...A madrugada chega rápido, já são 4h, Jôh acende mais um cigarro e parece não se importar com o frio, com cerca de 200 reais, na pequena bolsa tiracolo, onde tem também vários preservativos, ela acha que o movimento está razoável, no entanto, a noite ainda não acabou, e ela só vai embora quando não mais tiver clientes ...


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