Frase do dia

“O amor é tudo”
(Jesus Cristo)







sexta-feira, 27 de junho de 2014

Repercussão de “lista negra” de jornalistas de vice-presidente do PT divide especialistas

Pouco mais de uma semana depois da publicação do texto do vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, no qual nove jornalistas são chamados de “pitbulls da mídia”, o assunto continua a repercutir entre profissionais da área. Procurados pela IMPRENSA, professores de jornalismo se dividiram quanto ao alcance do artigo.

Para o jornalista e professor do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) Carlos Alberto Di Franco, há uma radicalização do discurso dos petistas contra a liberdade de imprensa. “O discurso é essencialmente antidemocrático. Busca-se um bode expiatório para explicar o desgaste do governo e do partido. A imprensa tem cumprido seu papel: noticiar os fatos”, explica.

Crédito:Portal Imprensa
Carlos Alberto Di Franco

“Acho que ele pegou leve. Pitbull é um bicho legal perto desses caras”, diz Juremir Machado da Silva, professor na PUC-RS. “Eles são uns reacionários completos, que eu chamo de ‘Lacerdinhas’. Para ele, veículos de comunicação como Folha de S.Paulo e Veja contratam estes jornalistas para “desqualificar qualquer pessoa que eles não gostem – principalmente do PT”. “Claro que os petistas dão pano para a manga, mas eles têm um monopólio do insulto, da desqualificação”, completa.
Crédito:Divulgação
Juremir Machado da Silva

De acordo com o professor da Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato, “os jornalistas estão fazendo o papel deles, que é refutar esse tipo de acusação”. “Este jogo faz parte de uma estratégia de encontrar pêlo em ovo. É tentar buscar um bode expiatório e tentar colocar a imprensa no banco dos réus”.
Crédito:Divulgação
Gaudêncio Torquato


O artigo assinado por Cantalice chamou a atenção da ONG Repórteres Sem Fronteira. A organização classificou como "preocupante" a "crescente tensão" entre o governo e jornalistas de oposição no Brasil após o início da Copa do Mundo.
"É preocupante que essas graves acusações contra jornalistas venham de um cargo tão alto dentro do PT", disse Camille Soulier, responsável pela seção Américas da RSF. "Não ignoramos o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, as dificuldades sentidas pelo PT não justificam o recurso à propaganda de Estado", continua.

Em artigo publicado na Folha na última terça (24/6), o jornalista Janio de Freitas rechaçou o parecer da RSF e afirmou que, ao contrário do que a entidade deu a entender, a liberdade de imprensa no Brasil não está ameaçada. "Temos, sim, repórteres e comentaristas com fronteiras entre si, sejam filosóficas, sejam éticas, sejam outras. Isso atesta a plena liberdade de imprensa. E nos dispensa de fingir que não temos fronteiras."

Juremir Machado vai na mesma direção: “Talvez eu tenha lido errado, mas o texto não pede que sejam feitas agressões contra jornalistas em nenhum momento. Os listados criticam, mas não querem ser criticados”.

Torquato define a situação como “absurda”. “Estou vendo um cerco à imprensa”, completa. Para Di Franco, o temor é de que a violência contra jornalistas possa aumentar, “sobretudo pelo exemplo que vem de cima”. “Lula, um ex-presidente da República, tem instigado a militância contra a imprensa. É algo, no mínimo, irresponsável”, diz.
Redação Portal Imprensa
Postar um comentário