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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

“Substituíram a ditadura militar pela ditadura midiática”

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Flip 2014 também abriu espaço para falar do período do regime militar (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

"Substituíram a ditadura militar pela ditadura midiática, a dominação pelo consenso", disse o jornalista e escritor Bernardo Kucinski, sob aplausos da plateia que participou da segunda mesa da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) no sábado, 2.


A irmã e o cunhado de Kucinski foram presos e mortos pela ditadura e seus corpos continuam desaparecidos. Segundo ele, a Comissão Nacional da Verdade não terá resultados concretos, pois os poderosos que apoiaram o golpe de 64 continuam no poder.
"E as Forças Armadas não se reciclaram, não condenaram as atrocidades cometidas no passado. A tentativa de desinformar e a guerra psicológica continua em alguns setores militares, continua, ainda que diminuto", declarou o jornalista.
Filho de Rubens Paiva, que foi preso, torturado e morto pelos militares em 1971, o escritor Marcelo Rubens Paiva chorou ao ler um texto sobre o sofrimento da mãe e da família pela incerteza do paradeiro do deputado, cujo corpo continua desaparecido. O pai morreu na noite em que a esposa foi presa. Apenas em 1996, foi feito o registro de óbito de Rubens Paiva.
Marcelo foi aplaudido de pé ao lembrar da coragem e determinação da mãe, Eunice Paiva, na luta contra a ditadura. "Mamãe era uma dondoca. De repente, foi presa e saiu de lá muito magra e sozinha. E então começou a peitar a ditadura", disse. "Passou a fazer parte de vários movimentos, a ser uma voz quase solitária contra a ditadura". Posteriormente, Eunice estudou direito e passou a se dedicar às causas indígenas.
A mediadora da mesa e historiadora Lilia M. Schwarcz argumentou que os relatos dos participantes falavam de uma memória de um tempo que não passou e de uma história que ainda incomoda os brasileiros.
Revisitar os fatos e desnudar as verdades são fundamentais nos dias de hoje para os debatedores. "A história é complexa e por isso mesmo requer reflexão, uma boa pesquisa, leitura", disse o economista Pérsio Arida, preso e torturado quando tinha 18 anos. "Se até pessoas que participaram do período têm essa confusão, imagina os garotos que moram na periferia de grandes cidades, que não têm acesso a essa história nas escolas", disse Marcelo.
"As novas gerações têm muitos poucos pontos de contato com as outras gerações, não tem continuidade. Para eles a ditadura é uma capítulo remoto da história do Brasil. O nível de desconhecimento é impressionante", disse Kucinski.
*Edição: Fábio Massalli
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