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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Posto que não repassar desconto de R$ 0,46 terá multa de até R$ 9,4 milhões, afirma ministro

Padilha admite que a conta do prejuízo pelo cumprimento das exigências do movimento dos caminhoneiros será paga pelo contribuinte

Leonêncio Nossa, O Estado de S.Paulo
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse na noite de quinta-feira (31), que o governo atuará para punir com multa de R$ 9,4 milhões postos de combustíveis que não repassarem, a partir deste sábado (2), o desconto de R$ 0,46 centavos por litro de óleo diesel nas bombas. A redução foi uma das exigências do setor de cargas para encerrar a paralisação, que chegou a dez dias. Também estão previstas suspensão temporária dos estabelecimentos e cassação da licença. Para garantir o cumprimento dos preços, o governo aposta num entendimento com federações de distribuidores e postos.


Uma portaria com as normas da fiscalização dos postos será publicada pelo Ministério da Justiça. Nas conversas com representantes de distribuidoras, o governo foi informado que os postos costumam renovar seus estoques em até 72 horas. Logo, estabelecimentos que ainda têm combustível comprado com valores antigos, com impostos que foram cortados nas negociações, até a tarde desta sexta-feira (1) estarão com óleo de preço reduzido.
Ao anunciar o fim dos bloqueios nas estradas, Padilha não fez malabarismo para admitir que a conta do prejuízo pelo cumprimento das exigências do movimento será paga pelo contribuinte. "Quem paga a conta é sempre o cidadão", disse. "Todo mundo está bravo porque vai pagar."

Para redução de R$ 0,46 centavos no óleo, o governo acertou cortes nos impostos. Padilha disse que, do total do desconto, R$ 0,05 centavos foram tirados do imposto da CIDE, R$ 0,11 centavos do Cofins e outros R$ 0,30 centavos serão subvencionados pelo Tesouro. É aí que o governo fará um "esforço hercúleo" no Orçamento. "O corte será horizontal", minimizou o ministro.
No balanço dos dez dias de paralisação, Padilha estimou a morte de 400 milhões de pintinhos de granjas e transtornos para setores de comércio e agricultura. Só evitou dar números do prejuízo político para o Planalto, que afundou um pouco mais em popularidade. "Muita gente surfou", desabafou. "Diferentemente da greve de 1999, quando eu era ministro dos Transportes e fui o negociador do governo, o sindicalismo virtual teve força na paralisação de agora."

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