Como não ser vítima de Black Fraude. Confira cinco dicas para fugir de espertalhões


Por MARTHA IMENES
Todo ano os consumidores dão de cara com promoções imperdíveis: são móveis, utensílios domésticos, aquela roupinha marota pro final do ano, o presente das crianças, celulares, eletroeletrônicos, até carros, motocicletas e apartamentos entram no leque de ofertas da Black Friday, que cai no dia 29 deste mês. Mas todo cuidado é pouco para a Black Friday não virar uma Black Fraude. Para ajudar o consumidor a não levar gato por lebre, e muito menos comprar tudo pela "metade do dobro", O DIA pegou orientações com especialistas. Aline Soaper, educadora financeira, fez uma listinha simples com cinco dicas infalíveis para não cair em uma furada.
Outra dica é bem valiosa: pesquise antes de comprar. A internet é uma grande aliada nesse momento. Mas como? É possível instalar um plugin para Google Chrome chamado “Black Friday de Verdade”, nele o consumidor pode checar se existe realmente desconto. Basta instalar http://buscacupons.blackfridaydeverdade.com.br/#instale.

Essa extensão é exclusiva para o navegador do Google, não salva dados do usuário, só é exibido na página do produto e monitora mais de 30 lojas em todo país. Antes de comprar, verifique as lojas participantes no site do plugin https://blackfridaydeverdade.com.br/#lojas. Sites como Zoom (https://www.zoom.com.br/) e Buscapé (https://www.buscape.com.br/) ajudam na hora de verificar o preço das concorrentes. "Desconfie de preços muito abaixo das demais", alerta Daniel Nascimento, especialista em segurança digital e executivo da DNPontocom.

Cliente pagou celular, mas não levou
A atenção tem que ser redobrada e mesmo após a transação ter sido feita o consumidor precisa guardar comprovantes para o caso de ocorrer alguma "eventualidade", até mesmo em redes de varejo conhecidas. Na Black Friday do ano passado, o supervisor de loja Fernando Moura, de 38 anos, comprou um celular em uma loja famosa. Na oferta o aparelho de R$ 1.600 sairia por R$ 1 mil. Mesmo após fazer a compra e ter a aprovação do cartão de crédito, Fernando não recebeu o produto.

Sem receber o celular, o supervisor abriu processo no site Reclame Aqui. "Sete dias depois a loja me ofereceu o mesmo aparelho por R$ 400 a mais do que pagaria e alegou que meu cartão não tinha sido aceito", relata. "Entrei com ação na Justiça e a empresa me devolveu R$ 1 mil e pagou R$ 1 mil de danos."

Faturamento alto atrai golpistas
O mercado espera faturar R$2,87 bilhões com a data, que começa com os norte-americanos e segue pelo mundo todo. Segundo especialistas muitas fraudes vêm 'disfarçadas' e os clientes não percebem que estão sendo lesados.
"A mentira pode aparecer em algumas modalidades diferentes. A mais famosa é a 'metade do dobro', quando o vendedor anuncia desconto de 50% ou mais em um produto que já foi superfaturado em 100% anteriormente", alerta Daniel Nascimento, da DNPontocom.
Outro golpe aplicado é o preço diferente no carrinho, ou seja, na loja o produto está como R$45 e quando coloca no carrinho o preço vai parar em R$90, o cliente deve ter atenção no total da conta e conferir todos os itens.

Cuidado com sites falsos
Entre as fraudes que estão na rede, as mais comuns são as dos sites falsos. Hoje em dia cibercriminosos utilizam dessa técnica para aplicar golpes em quantidade, então eles copiam o layout de uma página famosa, como: Americanas, Submarino entre outras e mudam pequenos detalhes, como na URL: em vez de ser americanas.com.br, colocam ameriicanas.com.br, em alguns casos ele usa a mesma logomarca, endereço e canais de atendimento.

Uma das dicas do especialista da DNPontocom é acompanhar a lista de suspeitos feita pelo Procon de São Paulo, ela anuncia sites que podem estar efetuando golpes. O link é: http://sistemas.procon.sp.gov.br/evitesite/list/evitesites.php.

Ao receber e-mails, cheque a veracidade e mesmo assim pesquise sobre o produto diretamente no site da loja, não compre pelo redirecionamento do e-mail. Desconfie de descontos recebidos pelo WhatsApp.

Cinco dicas para não cair em cilada
1 - Faça uma lista de coisas que realmente precisa comprar. Não vale a pena comprar porque está na promoção se você não vai usar aquele produto ou serviço, alerta Aline Soaper, educadora financeira.
2 - Pesquise o preço dos produtos nos últimos 6 meses. Muitas vezes a loja aumenta o preço um mês antes, pra baixar na Black Friday, por isso, tem que comparar com a média do preço e não com o preço da etiqueta no dia da compra.
3 - Em compras online tenha certeza que está comprando no site verdadeiro da loja. Existem muitos golpes envolvendo cópias das lojas em sites falsos.
4 - Se tem dinheiro disponível, aproveite para adiantar as compras dos presentes de Natal. Faça a lista e busque os presentes com desconto de mais de 70%, assim fará uma boa economia. Mas não dê o presente antes da data, porque aí no Natal vai acabar tendo que comprar de novo.
5 - Se está com dívidas, nada de Black Friday. A hora é de arrumar as contas pra não entrar o ano de 2020 com mais dívidas. "Lembre-se que se não comprar o desconto é maior", diz Aline.
Consumidor, confira seus direitos

Política de troca
"Toda questão da Black Friday em condições normais, é regida pelo Código de Defesa do Consumidor, então a política de troca é feita em decorrência de defeito, pois a loja não é obrigada a trocar por uma mera liberalidade do cliente", adverte a especialista em Direito do Consumidor, Soraya Salomão.
Mas caso a loja tenha essa conduta de troca como padrão, como as de departamento que permitem que a troca seja realizada em 15 dias ou 30 dias, por exemplo, é bom observar que o lojista não é obrigado a trocar somente por defeito. "Na verdade ele é obrigado a oferecer um desconto, troca do produto ou devolver o dinheiro. Ele tem 30 dias em média para fazer essa troca e a depender do defeito 90 dias, e existem discussões se são 90 dias a partir da compra ou da descoberta do defeito", orienta.

Direito de arrependimento
Nesse quesito, o cliente só tem esse direito em compras feitas fora da loja física, seja ao telefone ou internet. O prazo são sete dias após o recebimento do produto.

Prazo de entrega e cupom de desconto
O prazo de entrega, via de regra, vem previsto no site de venda, e o site tem que fazer valer essa informação. Então, vai depender de cada caso. O desconto segue a mesma regra, só vai ser aplicado dependendo da política da empresa. Se ela tiver um desconto que está atribuído ao Black Friday ela terá que aplicar para todos os consumidores, caso o contrário ela não é obrigada.

Propaganda enganosa dá processo
"Poucos dias antes do evento, algumas lojas aumentam seus preços e no dia do evento voltam com o valor original, tudo para passar a impressão de que o desconto foi significativo. Essa prática é chamada de maquiagem dos preços e considerada publicidade enganosa, podendo resultar até em penalização para a empresa", orienta Renatta Gomes, especialista em finanças.

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